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ARTIGO

Pequenas histórias de um ex-ferroviário – 6º parte

Durante as viagens do Trem Caipira, resgatava-se a própria alma do nosso desenvolvimento

por Arlindo Lima
Publicado há 15 horasAtualizado há 5 horas
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No episódio anterior, abordei a importância da preservação do nosso Patrimônio Histórico, destacando as estações de São José do Rio Preto e de Engenheiro Schmitt, ambas tombadas pelo COMDEPHACT. Rio Preto assevera o conceito de evoluir da preservação contemplativa para a conservação integrada e o uso adaptativo, onde o antigo ganha nova vida e função social.

Durante as viagens do Trem Caipira, que transportou mais de 3.000 passageiros, resgatava-se a própria alma do nosso desenvolvimento regional. O público vivenciava o patrimônio imaterial: o ritual do embarque, o balanço sobre os trilhos e a emoção de refazer o caminho que outrora trouxe o progresso à nossa cidade.

Em 2017, o grande desafio era retomar o projeto após um longo período de inatividade. O ano foi marcado por um trabalho técnico exaustivo. O VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) passou por uma revisão completa, da mecânica à tecnologia embarcada. Mas a renovação foi também artística: o trem ganhou uma nova identidade visual, envelopado com reproduções de obras de José Antônio da Silva, transformando o comboio em uma galeria de arte itinerante pelas paisagens do Noroeste Paulista.

Paralelamente, enfrentamos etapas burocráticas para regularizar aspectos normativos junto à ANTT e à concessionária Rumo Logística, garantindo que o sonho estivesse amparado por segurança jurídica e operacional.

Após o empenho da nossa equipe, o momento aguardado chegou: em 10 de dezembro de 2017, o apito do Trem Caipira voltou a ecoar. O som dos trilhos misturava-se às notas da Camerata Jovem Beethoven e à alegria de personagens que recebiam os passageiros. Naquele dia, a espera terminou em sorrisos e na satisfação de ver o povo ocupar novamente seu lugar de direito no carro de passageiros.

Na época, ajustes estruturais garantiram a acessibilidade e segurança nas estações. Era imperativo estabelecer um ritmo de operação mensal que respeitasse as normas técnicas, tendo as orientações da ANTT e da Rumo como balizamento fundamental.

Dava-se início, então, a uma nova jornada: o restauro físico das estações. Avançamos com a consciência de que a população é a legítima proprietária dessa memória coletiva. Esse processo de renascimento será o tema central do nosso próximo episódio. Acompanhe conosco este trilho de memórias!

Arlindo Lima

Turismólogo, ex-coordenador do Projeto Trem Caipira e ex-chefe de trem.