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HARMONIA DA FÉ

Ariadne Vocci lança ‘Católico & Acústico Volume 1’, seu primeiro álbum solo de música católica

Com 20 canções em atmosfera intimista e espiritual, projeto une música, oração e vivência comunitária

por Salomão Boaventura
Publicado em 13/05/2026 às 00:56Atualizado em 13/05/2026 às 11:06
Em “Católico & Acústico Volume 1”, Ariadne Vocci transforma a experiência musical e a fé em um álbum intimista e acústico que convida à oração (Arquivo Pessoal)
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Em “Católico & Acústico Volume 1”, Ariadne Vocci transforma a experiência musical e a fé em um álbum intimista e acústico que convida à oração (Arquivo Pessoal)
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Há artistas que cantam por vocação; outros transformam a música em expressão da própria vida. Em “Católico & Acústico Volume 1”, a cantora Ariadne Vocci, de Rio Preto, reúne as duas dimensões em um álbum que soa como oração, conduzido por harmonias delicadas e canções de fé.

CATÓLICO & ACÚSTICO

Lançado nesta quarta-feira, 13, dia de Nossa Senhora de Fátima, o álbum marca o primeiro projeto solo de música católica da artista, conhecida por sua atuação em bandas e projetos missionários católicos, como a banda Manancial, onde iniciou sua carreira.

Disponível no Spotify e nas principais plataformas de streaming, o trabalho reúne 20 músicas em versões acústicas, conduzidas por uma proposta que busca acolhimento, simplicidade e espiritualidade.

Produzido por Alex Ayusso e gravado na Filmix Produtora Audiovisual, de André Clínio e Maria Elisa Lopes, o álbum conta com participações especiais de padre Felipe Pavão, da Comunidade Canção Nova, e de Leandro Pessoa. A arte da capa do álbum é Amanda Gatto.

O repertório passeia por canções de nomes importantes da música católica, como Celina Borges, Juninho Cassimiro, Comunidade Shalom, Ir. Kelly Patrícia e Martin Valverde, artista que Ariadne cita como uma referência afetiva e espiritual.

“O Martin Valverde é um grande compositor, muito querido, eu cresci sendo formada por suas canções. Nesse álbum, tem bastante música que faz parte da minha história e também dos meus convidados que gravaram comigo, como o padre Felipe Pavão e o Leandro Pessoa, um amigo muito especial”, pontua.

Segundo Ariadne, a proposta do álbum nasce justamente da experiência mais cotidiana da fé, próxima da vivência comunitária.

“Quem tem uma vivência na Igreja Católica, a gente sabe que quando você vai ao Grupo de Oração ou uma missa geralmente não tem banda, violino, violoncelo, não tem orquestração, não tem nada disso. Então, a ideia do álbum é você se sentir como num grupo de oração, se sentir junto com amigos para uma oração espontânea e poder rezar enquanto canta. A ideia é muito humilde dentro do que a gente pode fazer com as parcerias que estabeleci nesses últimos anos: cantar para Deus com os meus parceiros de igreja, de vida, e levar as pessoas que ouvirem a rezar também”, conta.

PERFIL MUSICAL

A trajetória musical de Ariadne Vocci atravessa diferentes estilos e linguagens. Cantora há mais de 20 anos, além da música Católica, ela já integrou grupos de pop e jazz, trabalhou em estúdios e acumula mais de 100 produções fonográficas com sua voz, entre backing vocals e participações especiais.

Trabalhos autorais anteriores — “Ego”, “ID”, “Ariadne’s Maze – S”, “Ariadne’s Maze – E” e “Ariadne’s Maze – W” — funcionam como um mapa afetivo de sua própria formação musical marcada pela sofisticação vocal e pelas harmonizações elaboradas.

“Os álbuns ‘ID’ e ‘Ego’ são um resgate desde o primeiro tempo da minha vida. Minha mãe foi a primeira pessoa que me formou musicalmente, me ensinou a fazer harmonização de vozes; ela que foi a grande responsável na formação vocal que eu tive. Os artistas que ela amava, eu passei a amar também, por exemplo. Nessa primeira leva de músicas, tem até duetos com ela e com a minha tia, que é minha madrinha e também canta”, conta.

“O ‘Ego’, inclusive, foi um presente do violonista Alex Ayusso, meu grande parceiro de música, meu amigo querido. Ele topa as minhas aventuras musicais e está em todos os álbuns”, ressalta Ariadne.

Já os três trabalhos da série “Ariadne’s Maze” formam, pelas iniciais, a palavra “sew”, que significa costurar, em inglês — conceito que a cantora relaciona simbolicamente aos pontos cardeais e à própria construção de sua caminhada artística e espiritual.

“Tem o S, de Sul; o E, de Leste e o W, de Oeste. O Norte, que ficou faltando nessa quadrilogia, vai ser o meu álbum Católico. Com isso, mostro que meu norte é Deus, é Cristo, é Nossa Senhora”, ressalta.

COMPOSIÇÃO

Ariadne afirma que o novo álbum abre caminho para uma etapa autoral dentro da música Católica. “Eu acredito que o ‘Católico & Acústico Volume 1’ seja o primeiro passo, com a graça de Deus, para que em algum momento, eu possa ter as minhas próprias músicas católicas, porque, no momento, faço versões, releituras. Mas espero, com a graça de Deus, se assim Ele me permitir, poder ter minhas próprias composições católicas”, revela.

O lançamento na data dedicada a Nossa Senhora de Fátima também carrega um significado profundamente pessoal para a artista, que relaciona o disco à sua caminhada de fé e consagração religiosa.

“Eu fiquei imaginando que seria uma boa data, porque eu sou consagrada a Jesus, pelas mãos de Maria, na consagração de São Luís Maria Grignion de Montfort, pelo título de Nossa Senhora de Fátima. Nós que somos consagrados, somos chamados a dizer todos os dias de manhã: ‘Sou todo vosso, meu amado Jesus, e tudo quanto tenho vos pertence pelas mãos de vossa mãe, de Maria, vossa Mãe Santa’. Então, nós entregamos tudo”, conta.

“Neste dia 13 de maio, eu renovo os meus votos e entrego esse álbum, que é o primeiro. Eu espero uma série deles, de louvor, agradecimento e entrega a Deus e a Nossa Senhora”, conclui Ariadne.

Notas de devoção

Para Ariadne Vocci, cantar vai além de uma escolha artística. Ao longo da carreira, construída entre estúdios, apresentações e projetos musicais de diferentes estilos, a cantora encontrou na música também um caminho de evangelização, entrega e vivência espiritual. Mais do que interpretar canções, ela afirma buscar um propósito maior por meio da própria voz.

“Acredito que o que me motiva a cantar hoje seja devolver a Deus aquilo que ele me deu. Que Deus possa, com aquilo que Ele me deu, fazer a obra que Ele quer. Quero colocar à disposição de Deus aquilo que é dele mesmo, nada mais do que isso”, diz.

Segundo Ariadne, a compreensão da música como dom e missão foi amadurecendo com o tempo e passou a orientar não apenas suas escolhas artísticas, mas também sua caminhada de fé. “Entendo que Deus nos concede os dons, os talentos, e nós devemos usá-los para Ele. Hoje, tenho esse coração, esse pensamento”, diz.

A artista afirma que o desejo de cantar está diretamente ligado à possibilidade de tocar espiritualmente outras pessoas e, ao mesmo tempo, transformar a si própria nesse processo.

“Cantar os louvores de Deus, levar as pessoas a fazerem o mesmo e, nesse processo, também me santificar e ajudar as pessoas a se santificarem. ‘Ser santo’ parece uma palavra em desuso; muitos vão dizer que é impossível, mas eu acredito e tenho fé que nós podemos e conseguimos, com a graça de Deus. Com o ‘sim’ diário à graça que ele nos dá, chegar um dia a essa santidade, essa perfeição que Deus pede de nós, de ‘Ser santo como o vosso Pai do céu é santo’, se ele pede é porque a gente pode”, conclui Ariadne. (SB)